Se existe um nome que se liga automaticamente à imagem do caipira, do homem da roça no inconsciente da maioria dos brasileiros, é a figura do jeca, especificamente de Jeca Tatu, personagem criado por Monteiro Lobato em seu livro de contos Urupês, publicado em julho de 1918.
Nele Lobato tratava do dia-a-dia da vida tranqüila do caboclo, com seus costumes, crenças e tradições, mas de uma maneira que transformou Jeca Tatu num ícone negativo da figura do caipira, totalmente diferente dos caipiras e índios idealizados pela literatura romântica de então.
Seu aparecimento gerou uma enorme polêmica, pois o personagem era símbolo do atraso e da miséria que representava o campo no Brasil. Monteiro Lobato conheceu apenas o caipira caboclo, e generalizou o comportamento destes para todos os caipiras, causando uma repercussão nacional.
Jeca Tatu passou a ser rotulado como preguiçoso, vivendo só do que a vida lhe dá (daí o apelido urupê, uma espécie de fungo parasita), um ser ignorante e atrasado, doente e desmotivado.
A ponto do Laboratório Fontoura adotar o personagem, para vender seu remédio Ankilostomina Fontoura, lançando-o em quadrinhos, folhetos e nas histórias do Almanaque Fontoura, que viria ser um grande sucesso de público.
O Jeca Tatu também viria a ser imortalizado por Amácio Mazzaropi em 1959, através de um filme retratando esse grande personagem, vivendo um roceiro ameaçado por um latifundiário..





